Suzana Faini
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Por Renata Moreira Lima
Durante 15 anos ela foi bailarina, há mais de 40 agracia o público com suas atuações no teatro, cinema e televisão. Recentemente, Suzana Faini deu o que falar com a personagem Iolanda, na novela da Rede Globo, A Favorita.
Em um encontro no café da loja Uso e Desuso, em Copacabana, ela falou ao Jornal Copacabana sobre a carreira, personagens marcantes e a vida que leva no bairro. Confira!
Jornal Copacabana: Sua última aparição na televisão foi na novela A Favorita, em 2008, no cinema, em 1997, em O Amor Está no Ar, e no teatro em 2006 com Calúnia, além de parte do espetáculo 7, O Musical, no ano passado e esse ano, não é? Está com novos trabalhos para o segundo semestre?
Suzana Faini: No cinema, meu último filme foi em 2005: Coisas de Mulher, com direção de Eliane Fonseca que está passando agora no Canal Brasil (tv por assinatura).
Estou esperando o começo dos ensaios de uma peça do Oscar Wilde, com Suzana Vieira e grande elenco, seremos doze atores. Vai estrear em São Paulo e depois vem para o Rio. Estou ansiosa porque é um tipo de mulher que nunca fiz. É uma duquesa que adora fofocar. Ela tem bom humor e acha tudo engraçado, mas comenta demais as coisas sem se dar conta de que pode estar cometendo gafes. Não é malvada, mas fala coisas fora de hora. Estou empolgada!
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Faini em cena de Um Brasileiro Chamado Rosaflor (1976), de Geraldo Miranda
J.C.: Falou em tipo de personagem. Tem algum que goste mais de representar?
S.F.: Na verdade não são os tipos que me atraem, são as nuances que um personagem tem. Não gosto muito dos estereótipos: a boa, a má! É como você pode interpretar que importa. Um texto bem escrito ajuda muito também! Um exemplo é a Iolanda, de A Favorita, foi especial porque tinha humanidade.
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J.C.: Você foi bailarina por mais de 15 anos e é atriz há mais de 40. Como foi essa transição?
S.F.: Na verdade foi muito natural. Eu fazia balé clássico e comecei a me destacar nas danças mais interpretativas. Eu já tinha feito curso de teatro antes de me profissionalizar e comecei a ir para “esse lado”. Fui uma das primeiras alunas da Maria Clara Machado antes dela abrir” O Tablado”. Foi pouco tempo, mas foi muito importante. Acho que passei a ser atriz porque senti falta de outra maneira de me expressar. Acabei trocando. Hoje, sinto falta de dançar.
J.C.: Você era bailarina, atriz... Canta, toca e pinta também?
S.F.: (risos). Sempre fui tímida e introvertida, falar nunca foi fácil. Eu já tinha estudado violino, apesar da minha grande paixão ser o piano. Mas não pinto! (risos). Minha família era muito musical, minha tia era violinista da Orquestra Sinfônica e meus pais cantores de ópera.
J.C.: Trace um paralelo da profissão de atriz de quando começou para agora.
S.F.: Estudei muito e continuo estudando. O ator tem que fazer isso sempre! No teatro temos um tempo de trabalho muito bom e a repetição é fundamental. Descubro coisas novas com o texto e aperfeiçoo o personagem. O que precisa é, fundamentalmente, estudar. Talento e oportunidades também ajudam.
Continuo ficando nervosa na estréia e tenho tesão de fazer uma peça com um bom texto.
J.C.: Tem aqueles personagens que você mais se identificou?
S.F.: Fico com medo de falar em um e esquecer de outro. Mas tem sim. Tive muito prazer em fazer a Cema, do primeiro Irmãos Coragem, da Janete Clair. Fui elogiada pelo meu trabalho... Ganhei um prêmio emocionante dos Garimpeiros. Foi muito bacana porque sou totalmente urbana, nunca tivera contato, efetivamente, com o interior do país, e consegui representar bem. O legal é que fiz muito na intuição, porque naquela época não era fácil fazer laboratório. Eu descobri a simplicidade do personagem e fui recompensada por isso com o sucesso dele. A Cema era casada com o Brás, interpretado pelo Milton Gonçalves, deve ter sido o primeiro casal branco e negro da televisão. Foi muito gratificante.
Outro que eu gostei foi a Maria, uma imigrante italiana que fiz na novela Vida Nova. Meu pai é italiano, minha mãe espanhola, busquei na minha infância as referências para o personagem.
Com certeza têm outros, mas vou citar a Iolanda, que tem em comum com as outras duas, a simplicidade.
J.C.: Vamos falar de vida. Apenas nasceu em São Paulo ou morou lá durante a infância?
S.F.: Meus pais estavam em excursão e acabei nascendo lá, mas cresci aqui no Rio, na Glória.
J.C.: E Copacabana?
S.F.: Veio depois de muitas mudanças. Eu fazia aulas no Teatro Municipal do Rio e me profissionalizei em São Paulo, onde morei 12 anos. Depois voltei para o Rio, para Ipanema, onde fiquei durante uns sete anos, e mais 11 no Leblon, 20 na Gávea e há uns seis anos estou aqui. Hoje moro perto de Ipanema e fico dividida entre os bairros (risos).
Não gosto da loucura e desorganização que tem, afinal aqui é Copacabana, a Princesinha do Mar!
Eu descobri o bairro! A praia é maravilhosa! Não que eu não conhecesse, mas hoje eu frequento, dando as minhas caminhadas pela orla.
J.C.: Você é caseira?
S.F.: Se eu não estiver trabalhando fico muito perturbada, por isso estou sempre fazendo teatro. Nos intervalos eu leio muito. Mas sou caseira sim. Qualquer coisinha eu quero ficar lá, receber amigos... Hoje eu gosto de cozinhar. É até surpreendente, porque mais jovem, eu não sabia fazer nada na cozinha! (risos).
J.C.: Estamos chegando aos fim da entrevista. Deixe seu recado ao leitor do Jornal Copacabana.
S.F.: Vamos olhar pelas nossas calçadas. Que os governantes vejam que as pedras portuguesas devem ser bem colocadas para que não haja desnível. Principalmente aqui que é um bairro com grande número de idosos.
E, leitor do Copacabana: vá ao teatro!
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